quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Um bebê

Ela é um bebezão.
Ao mesmo tempo em que chora por tudo, sorri por tudo.
Tem um sorrisinho no rosto a maior parte do tempo.
Parece não ter preocupações, inquietações.
Tem medo do escuro.
Não gosta de dormir sozinha.
Não gosta de ficar sozinha.
Não pode ficar sozinha.
Tem um cabelo preto encaracolado que vai até a cintura.
Todo dia vem com aquele sorrisinho: - Prende pra mim?
Cinquenta mil voltas para aquele cabelo caber todo dentro da touca.
Ela fica quietinha com a cabeça pra baixo, parecendo uma menina que a mãe arruma pra ir pra escola.
Ontem ouvi um grito na cozinha.
Pensei: "É mais um chorinho sem motivo"
Lá veio ela, com quase lágrimas nos olhos e o dedinho escorrendo um líquido vermelho.
"Ué, dessa vez é sério" - fui ao seu encontro.
- Olha chefinha, olha o que eu fiz!
Embrulhei seu dedinho em um papel e a trouxe até o estoque.
- Vamos ver o que você aprontou nesse dedo!
- Ai, ai, ai, eu não quero ver!! - virou o rosto.
Fui limpando, e tentando ver a gravidade.
A faca havia cortado até a metade do dedo indicador, junto com um pedaço da unha.
Fiz um curativo com gaze e esparadrapo, lembrando os curativos feitos por papai quando criança, e até mesmo depois de (quase) adulta.
Dei um beijnho na mão e disse: - Quando casar, sara.
Fez seu sorriso de menina e disse: - Você leva jeito pra isso, chefinha, podia ser enfermeira.
Quando ler a parte em que ela fala, acrescente um sotaque nordestino.
Isso vale pra quando ela está brava. - Sua chica preta!
Não sei o que isso quer dizer...
Ela adora dar presentes. Só esse ano recebi uns quatro.
Dizendo assim, parece mesmo uma criança, mas já é casada.
A maior parte da família vive no nordeste.
Não tem filhos. Morre de medo das dores do parto.
Vive aqui, com o marido. 
Ela mata e morre por esse homem!
- Oh chica preta, não perca esse sorriso risonho que ilumina minhas manhãs, dentro dessa cozinha minúscula.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

É,

certas coisas, não mudam.

Minha cozinha

Na minha cozinha já teve homem de chapeuzão branco,
Já teve mulher com prancheta na mão e caneta vermelha,
Já teve evangélica com músicas de louvor o dia inteiro,
Já teve brigas,
Teve surpresas,
Teve abraços,
Na minha cozinha já tive duas grávidas,
Já tive calor, muito calor,
Já tive rabugentas,
Já tive irresponsáveis,
Na minha cozinha já tive que cozinhar,
Já estive sozinha,
Da minha cozinha já saiu maravilhas,
E também saiu coisas nem tão gostosas assim,
No meu refeitório já tive reclamações,
Já tive elogios,
Já tive festas,
Já teve brigas,
Já teve sorrisos,
No meu refeitório tem flertes,
Tem enfeites,
No meu estoque já chorei,
No meu estoque já sorri,
No meu estoque já passei sufocos sem fim,
Já fiquei tranquila,
No meu estoque já quis abrir leite condensado,
Já quis comer sobremesas,
No meu estoque já achei um sapo!
No meu estoque já passei um calor dos infernos!
E também frio de bater os dentes,
O meu estoque já foi meu refúgio,
No meu estoque já quis nunca mais entrar,
Na minha empresa já apareceu morcego,
Já apareceu tucano,
Já apareceu joão-de-barro,
Já apareceu cobras,
Na minha empresa, existem cobras.
Cobra bicho, e cobra pessoa.
É melhor não mexer.
Porque como dizem, 'não mexe que fede'.
A gente aprende, não é?

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

What's up?

Hey Helena!
Você ainda vive aqui?
Não, não me esqueci de você.
Diariamente escrevo histórias e situações... mas que ficam na cabeça.
Escrevo sobre coisas que aconteceram, coisas que estão acontecendo e coisas que por certo acontecerão.
Escrevo sobre a roupa dela, sobre o sorriso dele, sobre o abraço apertado, sobre a ligação suave, sobre a mensagem de saudade, sobre amigos sumidos, sobre o que poderia ter acontecido.
Escrevo sobre ela, escrevo sobre ele, sobre aquele, não sobre o primeiro, mas sobre o segundo, mas também sobre o primeiro se não tivesse segundo, sobre aquele dia, aquela noite, aquele sonho, aquele aniversário, aquele abraço, aquele último beijo, aquele adeus, aqueles queridos, aqueles conhecidos, aqueles estranhos que passaram a ser comuns, aqueles que crescem, aqueles que vivem, aqueles que morrem, aqueles que estão pra morrer, aqueles que ainda vivem...
Escrevo. Sempre estou escrevendo. Essa prática é difícil de ser quebrada, mesmo com a vida corrida, sem tempo pra nada.
Esses dias fui lá na lagoa, lembra? Nossa velha lagoa?
Lembrei de cada um deles, descrevi o que foram e o que são agora.
Senti orgulho de todos eles, todos estão com as vidas praticamente resolvidas, apenas no começo delas, mas já caminhando sem a ajuda das mãos, sem a ajuda das rodinhas a mais.
Eles são lindos, sempre foram, e sempre serão.
Sinto falta, mas estão guardados em um lugar que nem o tempo, nem a distância conseguem apagar ou mudar. O que foi vivido, ainda vive, mesmo aqui, na memória.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O caminho da vida

" O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.

A cobiça envenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódios... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e morticínios.

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela.
A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.

Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos..
Nossa inteligência, empedernidos e cruéis.
Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.

Mais do que de máquinas, precisamos de HUMANIDADE. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido. "

- Charles Chaplin.
 

' Assemelhemo-nos à beleza, à doçura, da mãe Natureza.
 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Um dia...

Um dia vais lembrar do passado.
Vais descobrir que acasos não existem e que coisas sempre ficam para trás.
Aquele abraço apertado. Aquele beijo docinho. Aquela noite acordada. Aquela lua que parecia brilhar só pra você. Aquele 'sempre' com final. Aquela esperança que por fim morreu, ou pelo menos foi esquecida.
Vais lembrar e sorrir. Ou então, vais chorar.
Não um choro de arrependimento. Talvez, apenas um choro, de saudade.
Há saudade que dói no peito, que machuca e parece não cicatrizar.
Há saudade que nos faz levantar, gargalhar, levitar, acalmar, acelerar...
Ahh Saudade!!
Não só de coisas, como aquela boneca esquecida, o pião colorido, a bolinha de gude transparente.
Saudade de lugares, pessoas, momentos...
O gatinho cinza de olhos esverdeados.
A hortinha no quintal cheirando a hortelã - que mais tarde abrigaria peixinhos enterrados e brinquedos perdidos.
Saudade do pôr-do-sol vermelhinho e aconchegante em braços fraternos e sorvetes melados.
Saudade do cachorro caramelo de capa preta com nome de planeta.
Saudade de Papai Noel. Patins. Tombos. Mercúrio e joelho vermelho.
Saudade do esconderijo no quarto da titia quando o senhor 'bronca' te perseguia pela casa toda.
Saudade da sopinha de caldo de feijão com arroz e pedaços de salsicha picadinhos.
Saudade do bolo de banana insuperável. Saudade da vovó.
Saudade da carona de bicicleta, do mundinho particular.
Saudade do pouso da borboleta no pulso.
Saudade dos gritos, abraços e pulos de comemoração para as férias. Saudade das férias.
Saudade do abraço consolador depois do pesadelo.
Saudade da brasilinha bege guardada na garagem, de frente à janela azul da vovó.
Saudade do chorinho tocado pelos amantes seresteiros.
Saudade do violão de sete cordas. Saudade do vovô.
Saudade dos pastéis e doces da feira.
Saudade dos passeios matinais, dos primeiros raios de sol que acordavam a querida vila.
Saudade de brigar com o irmão mais velho depois de horas brincando. Saudade de ver o irmão mais velho que agora sai antes de você levantar e chega depois que você já foi dormir.
Saudade da chuvinha serena. Da comida quentinha. Do cheirinho inconfundível do arroz da vovó.
Das histórias e piadas contadas diversas vezes que nunca deixavam de arrancar sorrisos.
Saudade da rua tranquila. Do portãozinho barulhento, cheio de ferrugem.
Saudade de quando as folhas das árvores cobriam a calçada e o vovô inventava uma nova brincadeira.
Saudade da amiga sumida, escondida dentro da carteira.
Saudade dos passeios na lagoa.
Das lágrimas que não tinham tempo de rolar.
Saudade do irmão mais novo que cheirava bebê e agora é maior que você.
Saudade dos dramas e cenas improvisadas para faltar na escola.
Saudade dos ursinhos de pelúcia da Parmalat. Dos Ursinhos Carinhosos. Do Fantástico Mundo de Bobby. De Nintendo e Super Mário World.
Saudade da grande companheira de estimação amarela que tapava qualquer choro que ameaçava aparecer.
Saudade de quando a única preocupação antes de sair de casa era escolher o jogo certo para levar na vovó.

Ahh Saudade!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

' Eu hoje joguei tanta coisa fora...

Eu vi o meu passado... passar por mim.
Cartas e fotografias, gente que foi embora...


Querendo ver o mais distante e sem saber voar...


Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua,
Merecia a visita não de militares, mas de bailarinos..
E de você e eu. ♪


- Paralamas do Sucesso.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A gosto

A chuva cai forte pelo telhado da fábrica.
A gota de chuva rola, rola, rola...
Encontra o chão, e lá fica esperando outras de suas amigas.
Em pouco tempo - e muitas amigas gotas - uma poça se forma.
Lá ficam gotinhas grudadas por bastante tempo.
Até que se despedem e correm até o bueiro, ou, deitam-se nos espaços entre paralelepípedos.
Às vezes correm juntas, às vezes sobem, sobem, sobem, até as nuvens.
O ciclo se forma. Um ciclo sem fim.
Agosto.
Qual o gosto da chuva? Qual o gosto do vento? Qual o gosto da liberdade? O gosto da felicidade?
As horas passam, os dias passam, a semana, o mês, o ano, décadas...
Dia a dia. Mês a mês.
Estamos buscando o quê?
Agosto...Outro mês, a gosto.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Um pouco de Nostalgia

Frases incompletas...
Momentos que se vão...
Cenas eternizadas...
Sorvetes...
Coberturas abundantes...
Sorrisos...
Abraços...
Sorrisos...

- Putz, nos fodemos!
- Que nota você tirou?
- " I "... I de novo!!

Seminários desesperados...
- Falta 5 minutos pra começar, não tenho idéia do que vou falar!
- Vai, fica um slide pra cada um e já era.
[...]
- MB. Vocês foram muito bem!
[...]
- P*********... SOMOS FODA!!!!

Festivais...
Aulas...
Trabalhos...

- Agora, o que somos?
- Adultos?
Não, acho que não.
Ainda temos muito de criança em nós.
- Crianças?
Não, acho que não.
Partes de adultos prevalecem... há quase todo instante.
- Então, o que somos? - Eu lhe pergunto mais uma vez.
Lembranças?
Nos perdemos?

"Cada um vai para um lado, você vai ver..."

Estou vendo isso agora?

É...cada um foi para um lado.
Nossa vidas se cruzaram... um dia, em algum momento.

- Mas, quem foi que disse que tudo se perdeu?

Uma vez me disseram que laços fortes são eternos.
Sim, vocês são eternos dentro de mim.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Filhos

"Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?"


Vinícius de Moraes já dizia...
Ê! Filhos!
Eu tenho um punhado...
Diariamente os observo.
Alguns são mais unidos que outros...
Outros mais conselheiros, outros mais barraqueiros
Outros estressados, outros nem tanto...
São lindos! Sei o nome de cada,o gosto de cada, o jeito de cada.
Gosto assim. Gosto deles. Gosto do que eles se tornaram pra mim. Gosto do que eu me tornei pra eles. Os conheço bem. Meus filhos!
Denise, adoro o seu sorriso! A De é meiga, educada, divertida, auto-astral, transparente. Dá para sentir seu estado de espírito só olhando nos olhos. Sem seu sorriso, também me entristece. Pegou férias. Senti falta.
Ronilde. Pequena. Fala "meu amor" pra todo mundo. Tem um sotaque nordestino. Quando estressada lá embaixo, vem tomar um cafezinho e começar uma prosa. Gosta muito de se divertir. Bate de frente.
Regivalda, a Valda. É vegetariana. Alta. Magra. Sorridente. Simpática. Educada. Quando não tem outra opção pede ovo. Não um ovo normal. Quer sem gema. Sem sal. Só assim ela come. Tem uma irmã,a Eunice. A Nice por sua vez é baixinha. Pequena. Também sorridente. Boazinha. Compra pão todo dia depois do trabalho.
O Valdívio é carequinha. Todo mundo chama ele de Valdir... Ainda não entendi o porquê. Esses dias conheci a mulher dele. É boa de conversa. É simpática. Tomou café com a gente outro dia. Vai começar a trabalhar na chácara. O Valdir adora uma comida molhadinha, gosta principalmente daquele caldinho da carne.
O Anselmo é o meu filho mais garanhão, galanteador. Tem uma boa lábia. Simpático. Educado. Fala "Bom dia minha gata", "Bom dia meu amor", todos os dias. Me alegra com seu auto-astral. Dizem que lá embaixo é um cara mau. Ele é um dos encarregados. Às vezes precisa ser assim.
O Zenildo tem o apelido de 'Bicudo'. É educado também. Assim com o Anselmo, o Zenildo me dá um bom dia caloroso. Gosta de repetir o prato. Come com gosto.
O Daniel é o cara mais adorado. É grande. Igualmente grande é o seu coração. Tem uma bondade absurda. É simpático. Todo dia me cumprimentava com um "bom dia minha querida" e junto com ele um sorrisinho. Foi assim que o conheci. Foi assim que me conquistou. Foi assim que ele se tornou o filho mais cuidado, o filho mais tratado. É um bebezão. Meu bebezão.
Ah...tem sempre aquele filho que quer mandar mais que outro. O Bruno, é o chefe. Mas, muitos acham que podem mais que ele. O Bruno é uma bondade. Nunca vi uma família tão educada e simpática como os 'Tosello'. Sr.Ary, Dra Célia, criaram os filhos muito bem. Adoro eles. Eles merecem tudo o que possuem. E merecem muito mais.
O Andreás tem um cabelão e um sotaque argentino. É engraçado. Compulsivo. Fuma maços e maços de cigarro por dia. É casado, ou pelo menos juntado com a Luciana. A Luciana é minha filha rebelde. Ela é sensata, séria. Gosta das coisas bem certas. Bem explicadas. Não gagueje ao falar com ela. Tenha sempre certeza do que diz, mesmo se for a pior besteira que esteja falando. Ela é bonita. Muitos tem medo dela. Outros querem ser puxa saco e dedam os demais filhos.
A Bárbara é boazinha. Não tem uma cara muito simpática, mas quando se deixa conhecer, se mostra uma ótima pessoa. Educada. Faço questão de deixar seu limãozinho esperto, todos os dias.
A Thaís é extremamente engraçada. Só fala o que pensa, não mede palavras. É trabalhadora, guerreira. Rude, às vezes. Por dizer sempre o que pensa, às vezes diz coisas não muito agradáveis, mas quando é para elogiar, elogia e isso me deixa extremamente feliz. É uma ótima pessoa. Foi cuidada muito bem pela Dri. Nossinhora, essa mulher tem mãos de fada. Cozinha que é uma beleza. Faz bolos, truffas, pão de mel...Hum!
A Danielle também é muito engraçada. Come pra caramba. Não sei pra onde vai tudo. É divertida, inteligente. É o que é, não importa o que digam, não importa o que falem. Anda confusa com os amores da vida. Não se preocupe filhinha, no final, tudo dará certo!
O Ronaldo é extremamente bondoso. Conselheiro. Tem o dom de ouvir... e de falar também. É enrolado pra certas coisas. Tem uma voz linda. Já teve uma banda. Acho que foi um sonho meio frustrado. Adora música e tudo o que diz respeito. Tem dois filhinhos, um bebê e um mocinho. O mocinho é igualmente educado. Um encanto.
O Robson é um rapaz galã. Sempre me ajuda com problemas de computador. Tem o carro dos meus sonhos. É separado. Tem olhos esverdeados. Também anda confuso em relação à sentimentos. Nunca se sabe no que realmente está pensando.
A Rita é minha filha arteira. Tem o comunicado lá na parede "uma sobremesa por comensal". Ok! Que fique só no papel. Ela come o quanto ela quer, às vezes dá mais para os outros e sai como se eu não estivesse vendo. Ela está de férias agora. Ê Ritinha, pensa que eu não sei? Pensa que nunca vi suas malandragens?  - É minha filhinha arteira. Talvez faça de pirraça. Mas, eu acho graça.
O Heber é um garoto altão. Vem e vai de bicicleta. Me chamava de Maria. Esses dias que foi descobrir meu nome. Vai ser pai. Casou à pouco, e já vai ser papai. Dale garoto! Pra ele não tem miséria. "Coloque o maior bife". Não curte muito saladas e às vezes me diz "Ah, isso não é comível não!". O Marcos é seu amigo. Também vem e vai todo dia de bicicleta, agora almoça com a Luciana, Lúcia, e Pâmela. As três inseparáveis. Tem praticamente as mesmas idades e me fazem lembrar das minhas amigas e da bagunça que a gente fazia. Tudo é festa. Tudo é motivo pra risada. Tiveram até que separá-las de setor. Acho que não gostam de alegria misturada.
A Helena era a moça da faxina. Ela foi a primeira Helena que conheci. E até agora a única. Ela saiu com problemas na região da mão, punho, braço. Era um trabalho pesado. Adorava as sobremesas e sempre vinha com um "Ah, deixa eu pegar mais uma?"
A Raquel é um amor. Tem três filhas. Quando elas não exigem a presença da mãe, ela consegue vir almoçar. É extremamente educada. Sempre vem com um esmalte diferente. E eu sempre gosto.
A Lilian é novata mas já causou ciúme. É bonita. É casada pela segunda vez. Agora tem um filhinho de oito meses.
A Isabel tem uma responsabilidade grande. Não é muito adorada. Entendo a Bel, alguém tem que botar ordem no lugar. Não gosto muito do jeito autoritário e mesquinho. Ela anda sempre com a Aline. A Aline é enjoadinha. Tem uma voz de menina mimada. Aprendi a gostar dela. É engraçada. Bonita. Doce. Está querendo casar. Que seja feliz filhinha! Vai casar com o Júlio, um cara que só conheço por foto. Mas parece gostar muito dela.
A Gláucia aparece de vez enquando, e quando aparece é pra causar suspiro. Não é tão bonita. Mas tem uma classe. Tem um jeito de falar, de andar, de rebolar, que é só dela.
O Lagranha é outro cara de classe. Nossa, gente fina é outra coisa, fala a verdade? Uma educação. Um dia conversou comigo por um pouco mais de tempo. Com pessoas assim dá até medo de falar abobrinha. Você tem que parecer que entende tudo, mesmo meio confuso. Que classe! Que classe!
Tem o Sr.Alcides, o tiozinho da salada. Se deixar ele come a bacia inteira. Tenho que controlar esse meu filho. Acho que ele é meio lombriguento. Adora contar lorotas. Adora fazer trilhas. Adora dizer quantos quilos perdeu, quantas cobras na trilha encontrou, quantos quilômetros andou. É engraçado.. Todo dia traz sua garrafa para por àgua quente. Adora um chá. Não sei se adora mesmo, ou se toma só porque faz bem à saúde. É daqueles filhos que gostam de cuidar da saúde.
A Mércia é engraçadíssima. Adoro sua risada. É uma boa pessoa, é cunhada da Eliana. A Lia é linda. Esses dias foi o aniversário dela, o Cardoso - seu marido - inventou uma festa surpresa. Foi divertido. A Lia gostou. Levou um baita susto. Mas gostou.
A Sônia aprendeu a gostar de mim. Ela detestava. Acho que deixava ela passando fome. Agora eu capricho na vez dela. Ela é grandona, descobri que o seu coração também. Acorda todo dia às quatro da matina. Agora entendo. Passa muito tempo com fome.
Acho que a Edinalva não gosta muito do seu nome. Sempre assina a lista com o nome 'Flor'. Todos a chamam assim. A Flor é pequenininha. Tem um cabelão preto. Gosta de uma carninha com gordura. Ficou feliz quando soube que o Daniel estava feliz. Talvez foi a partir dai que começamos a nos dar bem.
A Telma também fica na parte da limpeza. Ah Telminha! Ela é boazinha. Fala docemente. Parece calma, gentil. Me falaram que é também fofoqueira. Mas, ah, eu gosto dela.
A Célia está de férias, mas ela compõe esse quarteto inseparável. Ela tem um sorriso doce. É meiga. Parece também boazinha.
O Paulo era um cara gente boa. Namorava a Denise. Eles terminaram. Uma tristeza só. Não sei o motivo. Mas fiquei triste por eles. A pouco ele saiu da empresa. Parece que conseguiu coisa melhor. Isso mesmo filho, siga em frente! Sempre podemos melhorar!
O Sr. Ademir é meu sogrão. Enxuto. É um cara trabalhador. Honesto. Tem olhos claros e uma carinha doce. Cara de criança quando apronta. Um sorrisinho sempre risonho. No começo eu morria de vergonha dele. Até que um dia, ao me despedir, dei-lhe um beijo em seu rosto. Ele ficou com mais vergonha que eu, mas eu fiquei extremamente feliz. Sempre quis fazer isso! Meu sogro é uma graça! Minha sogra também. Tem mãos de fada. Seu objetivo é me engordar. É... já está conseguindo!
O Divo, o Thomás e o Edvaldo trabalham com o Sr. Ademir na manutenção. O Edvaldo é o cara que mais trabalha na face da Terra. Sempre que o vejo está fazendo alguma coisa. Mesmo que não seja serviço dele. Ele está lá ajudando. É o quebra-galho. Um cara incrível, de uma humildade incrível. Tem um sotaque divertidissimo. Adoro rir com ele. Leva nosso lixo lá no lugar dos lixos. Como recompensa sempre guardamos uma sobremesa.
O Sr. Miguel e o Sr. Fernando são os porteiros. Os dois são engraçados. Quando cansam de ficar na portaria sozinhos, começam a puxar assunto e contam as mais variadas histórias. O Sr.Miguel é romântico. Adora sertanejo e às vezes me vejo cantando " ...Te beijei na boca e percebi que era o seu primeiro beijo, respeitei você, sua inocência ignorando o meu desejo...". O Sr. Antônio, o Édson e a Silvani são os meus filhos da noite. O Alex também era. Mas agora ele saiu. Era um cara esquentadinho com cara de safado. Sempre escrevia críticas no caderninho. Até que ele começou a conversar comigo. Um cara muito gente boa. Nos dávamos bem. Era bem bravinho... Mas eu gostava de encher seu saco. Era só a cara de durão.
O Sr.  Damaceno revesa com o João. O Sr.Damaceno é obceno às vezes. Quando falo isso pra ele, ele cai na gargalhada! A gente briga mais que irmão. Mas ele sempre está lá pra me ajudar, pra me quebrar um galho, pra me salvar de alguma. Nos damos bem. Ele adora implicar comigo. E eu adoro discordar do que ele diz.
O Odair é um cara altissimo. De uma educação sem igual. Adora agarrar o Daniel. Deve ser algum tipo de amor platônico. É sorridente. Fuma seu cigarrinho sempre depois do almoço.
A Mariana é minha nova cozinheira. Eita mulher arretada! É engraçada. Faz uma ótima comida. Tem um jeito certo de falar com ela, se não ela não faz o que pedem, ou faz com a cara amarrada.
O Cícero é um cara baixinho dos olhos mais azuis que eu já vi. No começo ele me pareceu ranzinza. Parece o Zangado da Branca de Neve. Isso, me sinto a Branca de neve que adotou 7 filhinhos. Eu adotei alguns a mais.
Conheço meus filhos. Sei quem não vai querer a sobremesa. Sei quem vai querer mais que uma sobremesa. Sei quem vai reclamar da sobremesa e sei quem não vai nem prestar atenção na sobremesa.
Lindos. São lindos.

"...Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!"

sexta-feira, 8 de julho de 2011

As sete vidas de um gato

Achei que ele nunca morreria.
Era imbatível, indestrutível.
Invejado por outros gatos, já que o mesmo, comia Wiskas, carne moída, frango desfiado, e mais... Era dado na sua boca.
Era tratado a pão de ló.
Muito bem tratado.
Há quem diga que ainda estava na sua quinta vida.
Ele renasceu várias vezes.
De um dente podre fora internado, com anestesia geral e tudo.
Tirou o dente.
Ok, problema resolvido?
Não.
Aí seria apenas o começo da mordomia.
Sem dentes, engolia a comida posta dentro da boca.
Sem dentes, não conseguia manter dentro da boca a língua gosmenta e áspera.
Já estava com pêlos fracos, pedaços calvos, uma dó.
Era chamado de Morto, por alguns....Morto-vivo?

Há quem diga ainda que essa mordomia era tudo mentira.
Se fosse tão bem tratado, estaria bem diferente.
Totalmente diferente.
Era o garanhão das gatinhas.
São três.
A Mimi, branca de tudo. Esbelta. Tem um jeito imponente de se expor.
Acho que se fosse humana, seria uma incrível bailarina. Tem um porte só dela.
Uma gracinha. Dava em cima do pobre Morto-vivo, de dentes podres.
Tem também a Peluda. Linda. Parece um leão com sua juba muito bem cheia e cuidada.
Disputava a atenção do gatinho...
Agora a Cat.... Huum... A Cat é uma Gata!
Engordou. Mas, mantém seu porte. Não é esbelta como a Mimi, mas... tem lá suas qualidades.
Tem uma personalidade forte. Brava. Ai de alguém que se aproximar com segundas intenções.
Diria que ela é uma gata difícil...
Agora chegou um herdeiro.
Na verdade, foi adotado pela 'gataiada'.
Chegou quase morrendo. Foi cuidado. Tratado.
Agora está esperto, brincalhão, engraçadinho.
Nomeado de Simbinha.

O nome do garanhão, ainda não falei.
Era Simba...
É, aquele leãozinho do Rei Leão...
Na época fazia sucesso...
É... ele já estava bem velhinho.

Morreu hoje.
Uma tristeza só.
Há ainda quem diga, que ele foi o gato que mais aproveitou a vida.
No caso, às sete.
Eu tenho minhas dúvidas sobre elas... acho que tinha umas de reserva, no caso das sete acabarem...

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Encontros e Despedidas

O primeiro foi por pura curiosidade, por estar me sentindo atrasada em relação as meninas da minha idade. Não foi bom. Não, o primeiro não. Não sei se era porque eu não sabia, ou se ele não sabia. Enfim, foi estranho. Mas, acho que aprendi. Tudo se aprende, oras bolas.
O segundo foi o cara que eu era apaixonada. Lindo, lindo, lindo. Acho que agora que tinha aprendido como era a coisa, fiz direito, e nossa... Bom, durou no máximo quatro meses. Lindos quatro meses. Era imatura sim, mas, ah, quer saber? Aprendi pra caramba. Com o fim, sofri pra caramba. Julgava ser o grande amor da minha vida. Fazíamos planos. Casa, carro, filhos...
Não devia ser assim, mas, com o sofrimento, a gente se fecha. Eu me fechei um pouquinho, ué, quem é que gosta de ficar sofrendo, de novo, e de novo?
O terceiro foi engraçado. Ainda estava muito abalada com o segundo, mas ai... como dizem, juntou-se a fome com a vontade de comer. Ele era lindo. Eu, de boa. Foi ótimo. Sem compromissos, sem pensar no amanhã. Um show. Um show inteiro. Um ótimo show. Foi show.
O quarto, ahh, o quarto. Esse me deu trabalho. Não era nada. Depois, começou a ser. Nasceu algo, do nada. Ele não queria nada. Talvez algum dia até tentou, mas, essas coisas a gente não escolhe. Acho que esse sempre será um amor platônico. Sabe, às vezes é bom. Desenvolve um lado mais sentimental... Mais ilusório. Não tem como medir amores. Quando o amor passa, a gente acha que o atual é muito mais intenso do que algum que já passou. Não sei dizer intensidade. Mas persistiu intensamente por bastante tempo.
O quinto foi ao acaso. Nesse, não juntou a fome com a vontade de comer. Foi mais força da situação. Sabe aquela coisa de... dois é par? Então, no caso, eram seis. Amigo do amigo com a amiga da amiga, que tinha uma amiga e ele um primo. Enfim, juntaram seis indivíduos querendo curtir a noite.
O sexto. Haha, engraçado. Muito engraçado. Surgiu. Dançou. Cantou. Passeou. Curtiu. Andou. Bicicletou. Conversou. Aconselhou. Sumiu. Haha, foi ótimo também. Era o que eu precisava, no momento que eu precisava. Sem sentimento. Sem saudade. Sem começo. Sem fim.
O sétimo. Hum... sete é o número da perfeição. Será que é finalmente... esse? Como o sexto, surgiu do nada. Foi chegando, foi chegando. Hey, espera ai, o que está acontecendo? É, não sei. É lindo. Sem promessas. Sem sofrimento. Vem ai um sentimento. Vem vindo, vem chegando.
Quer saber? Que venha! E que seja infinito, enquanto dure.

A vida passa, meu caro.
A vida passa!

Aprendi que nada é eterno, inclusive o sofrimento.
Depois que passa, ele vira um aprendizado.
E nessa vida, estamos para aprender.
Aprender a viver é complicado.
Mas, ué, ninguém nasce sabendo.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Sr. Tempo

Ontem o relógio da cozinha parou.
O tempo não.
Aliás, o tempo só correu mais, como pra chamar atenção, meio que dizendo:
- Estou aqui, quer ver como corro rápido?
Correu. Correu muito rápido.
Não só o tempo de ontem, mas como todos os seus parentes tempos.
O tempo é tempo desde que me conheço por gente.
E o tempo adora correr.
É o esporte favorito.
Ele não gosta de fazer breves caminhadas...
Ele corre, corre, corre, e não cansa.
Nenhum tempo é igual a outro, mas eles vem da mesma família.
E como dizem, "filho de peixe, peixinho é"
todos os outros tempos, vem com força total, e essa energia de correr, nunca cessa.

Poxa, tempo! Hoje já é dia primeiro.
Primeiro, indica início, início, indica começo, começo às vezes indica mudança, 'vou começar a fazer academia'...'vou começar a faculdade'...
Planos, planos...
Não dá muito tempo de pensar, enquanto o tempo não para de correr...

Espera ai, espera ai...
Então, já é Junho?
A metade já foi. Falta só mais meio... pra começar tudo de novo.


' E o tempo?
O tempo não para! ♫

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Fria manhã

Que frio! Aqui faz muito frio!
Nosso majestoso sol, tenta disputar a nebulosa manhã que se formou.

Frio, muito frio!
Tento amenizar esse sentimento com um pouco de café.
Café amargo. Sem muito açúcar. Parece já ter esfriado.
Não conseguiu me esquentar nem por um segundo.

Frio é psicológico, frio é psicológico...

Adoraria estar em casa de pijama.
- Já que é para sonhar, vou aumentar meu desejo.
Adoraria estar em casa de pijama, embaixo daquele meu edredom vermelho, no sofá, sobre almofadas e travesseiros, assistindo filme e comendo pipoca, vibrando com o calor do fogo da lareira que nesse momento me esquenta e me acolhe. Curtindo o maravilhoso ambiente, em minhas merecidas férias.
Ahhhhhhhhhhhh, que delícia!

Nesse momento, vem chegando um rapaz sorridente, com um olhar terno e carinhoso, que me pergunta se um chocolate quente me faria mais feliz.
Esse mesmo rapaz senta-se ao meu lado, e encostando minha cabeça em seu peito, acaricia meu cabelo sutilmente, como a um anjo.
Consigo sentir o pulsar do seu coração, que parece feliz, batendo melodicamente.
Nunca vira aquele rapaz. Mas, não queria perder-lhe de vista.

Acredito que existem pessoas que precisam ser cuidadas... Outras, que preferem cuidar.
O carinho sempre foi meu. O cuidado sempre foi meu.
Agora, sentir esse carinho, é o que preciso.
Nesse cenário que se forma, onde o fogo da lareira consome meus pensamentos, é com você que queria estar. Exatamente assim. Como se o segundo não andasse. Como se o filme não acabasse. Como se o frio, findasse gentilmente, dando espaço a quentura dos nossos entrelaços.




" Clara manhã, obrigado. O essencial é viver..."
- Carlos Drummond de Andrade.


segunda-feira, 16 de maio de 2011

De outro alguém

" A idéia para uma crônica me vem sempre como uma experiência de alegria, mesmo que o assunto seja triste.

Ela aparece repentinamente, nos momentos mais inesperados, como a visão de uma imagem. O que tento fazer é simplesmente pintar com palavras a cena que se configurou em minha imaginação.

Sou psicanalista. Meu trabalho se baseia na escuta. Cada cliente fala e, ao fazer isso, me permite andar nas paisagens da sua alma. Ao escrever uma crônica faço o contrário. Sou eu que ofereço as paisagens da minha alma aos olhos dos meus leitores. E eles, sem o saber, são os meus psicanalistas.

O escritor não é alguém que vê coisas que ninguém mais vê. O que ele faz é simplesmente iluminar com os seus olhos aquilo que todos vêem sem se dar conta disso.

E o que se espera é que as pessoas tenham aquela experiência a que os filósofos Zen dão o nome de 'satori', a abertura de um terceiro olho, para que o mundo já conhecido seja de novo conhecido como nunca o foi "


- Rubem Alves. :)

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Hipérbole

Me pediste para te compor uma música.
- Ah, por favor! Não deve ser tão dificil assim!

Ahh menina, se pudesses me fazer ver, além do que esses olhos acinzentados de pureza podem me mostrar...
Talvez saberia o que de fato sentes.
Meu corpo arde e vibra, quando sente teu perfume.
É como se meu cérebro já tivesse associado.
És minha.
Me pertence, e a mais nenhum outro.

Como posso te escrever uma música, se todas as palavras que surgem na mente não fazem sentido se não encontram seu nome ao final?
Como se exibe jeitosamente em seu leito rosado nos meus mais belos sonhos.
És a mais bela entre todas.
És a única que me fez sentir o que desejava há tempos!


É engraçado pensar assim, mas, pare um pouco e pense.
- Fiz um pequeno esforço para parecer romântico, levando em conta que não leio romances com frequência e muito menos os vivencio.
O último que tive foi há...

Enfim, quando vou me apresentar diferenciadamente, como um eu - romântico.
Ué, existe Eu-lírico... não se pode existir um eu- romântico?
Estou rodando e rodando...
Mas, queria dizer que, quando vou falar ou me expor com mais... sentimentalismo...
Volto ao tempo que mais existia esse tipo de coisa.
Olha o jeito das palavras, a gramática, as locuções, citações, o modo como os verbos estão colocados.

Acho tudo isso uma coisa irrelevante... já que não me prendo a sentimentalismos de gênero algum...


Só te digo uma coisa menina,
Se tu disseste, pelo menos uma vez, olhando dentro dos meus olhos e expondo as verdades ocultas em que se escondes... Diria, sentindo teu coração no meu, seus lábios tão próximos, e cílios igualmente postos, fechando e abrindo no mesmo segundo em que digo... ' Eu amo você '


E quando me pedes uma simples letra de música, ou uma melodia que me faças não te esquecer...
Apenas digo, que melodia nenhuma faria me esquecer desses olhos penetrantes. Que não te esqueço nenhum segundo, apenas o instante que quero sentir algo diferente, como parar de viver.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Mais um

Me lembro bem a primeira vez que comprei um maço de cigarro.
Hollywood vermelho.
Pensei... - É melhor levar meu RG.
É meio difícil as pessoas aceitarem que... SIM, sou maior de idade.´
Só de idade mesmo...

Comprei para o senhor que trabalha comigo, aqui do lado.
Já escrevi sobre ele... O porteiro.
Meu porteiro predileto.
Fico feliz em vê-lo.

Hoje, não tinha vontade nenhuma de levantar.
Simplesmente, não tinha.
O dia estava frio.
A cama aconchegante.
Não conseguia me mexer.
E nem queria.

Por fim acordei.
E cá estou.
Cheguei e Seu Fernando me dá um bom dia super alegre!
E já vem falando:
- Chegou a menina que tem um astral de alegria. Sabia? Sabia que você tem um astral bom, filha?

Isso foi o bastante para ele me arrancar um sorriso.
Viu?
O dia é outro.

Estava falando do cigarro né?
Bom, cheguei lá, comprei, ninguém perguntou nada...
Quem é que pergunta idade quando quer vender?

Não nesse mundo.

Seu Fernando é o senhor da guerra.
O cara com o coração mais incrível que eu conheço.
Ele disse que na guerra, era um péssimo homem.
Não servia para torturar os inimigos.
Acho que na verdade... ele era e continua sendo um ótimo homem.

Ainda tenho tanta coisa pra falar dele!
Ele é um cara fascinante... com sotaque português.

- Estou criando o hábito de chegar e escrever.
Isso atrasa todo o meu serviço, mas me dá uma motivação incrível para enfrentar o dia.

Mas é bom não extrapolar...
Estou indo... o dever me chama!

Bom dia pra você, minha cara Helena.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Outra visão

Maio começou com tudo.
Também pudera, dia 1º foi nada mais, nada menos que o Dia do Trabalho!
Honrei esse nome, e... trabalhei.
Mais uma vez estou falando de trabalho...
Que assunto mais chato!
Isso é assunto para adulto...
E quem disse que, adultos...gostam disso?

Hoje, ao acordar, tive uma sensação...
Uma sensação de...saudade.
No fim de semana, conversei com um amigo querido,
Ele me contou o quão divertido fora seu sábado, ao lado das pessoas que eu também amo.
Jovens alegres, que possuem tristezas, mas, que quando compartilhadas, viram um grãozinho de... linhaça.

Senti uma saudade.
Saudade de um tempo que... não volta, mas que de certa forma, sei que ainda existe.
Saudade de uma parte da minha vida, que ficou perdida, em algum lugar...
Saudade de pessoas, momentos, lugares, músicas, abraços, carinhos, você...
Saudade de quando ia para o estágio e respirava, sentia o dia, o toque suave dos primeiros raios de sol, o bom dia contente que oferecia e recebia de pessoas que nunca mais veria, as menores responsabilidades, mas ainda sim, eram responsabilidades... Mas pra mim, era tudo diversão.
Ainda é.
Aprendo muito.
Aprendo muito mesmo.

As patadas de ontem foram cruéis...
Dignas de desespero e aflição.
Não pensei que o dia fosse demorar tanto para acabar.
Mas, acabou.

Esse frio cortante que gela corações e extermina o pouco de voz que ainda me resta.
Queria ter o poder de voltar no tempo, parar, e ficar assim, só revivendo.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Observar

Tinha acabado de sair do trabalho.
Ficara uns minutos a mais, afinal de contas é final de mês... de novo.
E com ele, o tenebroso fechamento.
E é aí que o bicho pega, meu caro.
Bati ou não as metas? Fechei no vermelho de novo?
Já fez três meses, vou sair da experiência... ou serei demitida?
É... são várias as perguntas... Mas, te chatearia se continuasse falando disso.
É um péssimo assunto... e só de lembrar, a queimação no estômago volta.

Bom, a tarde estava fria. E eu, estava cheia de blusa, cheia de trabalho na bolsa e de saco cheio de todo mundo, indo em direção ao ponto de ônibus...
Lembrando que... minutos antes vira meu chefinho querido...
Que hoje, diga-se de passagem, estava um gato de social...

Enfim, cheguei, e fiquei a espera da van que passa pontualmente às cinco e doze.
O tempo parece uma eternidade pra quem espera.
Quando se espera a resposta positiva de uma entrevista.
Quando a comida está fria e o microondas não colabora com o estômago.
Quando se espera o tempo passar para cicatrizar uma dor, ou a falta de alguém.
Bom, no caso... estava a espera da primeira vanzinha da volta pra casa...
Quando... paro de pensar só em mim, no meu dia e nos meus problemas...
E começo a olhar ao redor.
O movimento da rua. O movimento dos carros. O movimento das nuvens...

Vi um senhorzinho de mãos dadas com uma criança loirinha, beirando os cinco anos.
Que criança esperta... Deixou o vovozinho preocupado ao atravessar a rua...
Ela estava andando normal, e do nada começou a correr.
O senhorzinho levou um susto! Ainda bem que crianças nessa idade ainda não correm muito rápido... e ele conseguiu agarrar na mãozinha dela.
Ela queria subir o degrauzão da padaria.
O primeiro, com a ajuda do vovô, ela conseguiu.
Mas, o segundo – mania que a gente tem de querer fazer tudo sozinho – ela tirou a mão do vô e tentou subir... Levantou a perninha o máximo que pode, mas não foi suficiente.
Caiu. O vovô muito gentil e bondoso, ajudou a levantar. Mas, a menininha ainda não estava satisfeita, quando o avô soltou novamente da mão dela, ela quis descer... Acho que era pra tentar subir de novo...

A van chegou.
E com ela, minha alegria de ir embora.
Entrei. Cumprimentei o motorista que já é parceiro de estrada e continuei observando.
Fiz o caminho de todos os dias. Mas agora, prestando atenção.
Passei por uma rua que em uma das paredes, tinha meu nome, bem grande escrito.
Como se alguém, me chamasse... de algum lugar... bem longe.
Era algum comércio...
Achei engraçado.

Continuei observando...
Agora já era cinco e trinta e três.
O sol estava lindo.
Já estava se pondo.
Agradeci meu parceiro. Desci da van.

Hora de esperar novamente.
Segundo meio de condução...
Transferência lotada, pessoas cansadas, pessoas alegres, pessoas que vem, pessoas que vão, acompanhadas, sozinhas, tristes, estressadas, preocupadas.
Um bando de pessoas.
Finalmente, leio 7-0-3 ... um grito de aleluia ecoa, e meus olhos brilham.
Dou o sinal.
E sumo, no meio da multidão.

É outro dia que acaba.

Aquele senhorzinho ficou na minha mente.
Como se ele fosse meu avô.
E a menininha, eu.

Aquela menininha, agora, está com outras coisas na cabeça.
Outros planos. Agora com objetivos. Mas, ainda perdida...
Não me solte vovô.
O degrau ainda é muito grande,
Acho que não consigo sozinha.

É outro dia que começa.

domingo, 24 de abril de 2011

Cenário

A janela estava aberta.

As cortinas amareladas balançavam suavemente.
O dia estava bonito.
O sol brilhava forte e o céu era de um azul limpo.
A luz invadia e iluminava a pequena mesinha de madeira do interior da sala.
Ah... aquela mesinha!
Uma caneta também havia ali, e embaixo um bilhete.
Bilhete.
Por que bilhetes sempre dão sensações estranhas?
Previstas?

Não gosto de previsões.
As deixo para os meteorologistas.
A vida acontece.
As coisas acontecem, em frações de segundos.

A mesinha de madeira continua lá,
e o bilhete...
Ah, o bilhete nunca foi lido.
E ainda sim, eles foram felizes, por longos e intensos anos.

domingo, 27 de março de 2011

...

As pessoas são carentes, sabia?
Elas são carentes de tudo!
Carentes de atenção,
Carentes de carinho,
Carentes de elogios,
Carentes de abraços,
Carentes de sorrisos,
Carentes de um bom dia alegre!
Isso, carentes de alegria.

Descobri que se eu gastar meio minuto olhando nos olhos de uma pessoa,
não preciso fazer muito mais coisas para que ela me dê um bom dia todos os dias.
Descobri que respeito e confiança, se conquistam, e às vezes, leva tempo.

Descobri que pessoas tem problemas demais
e que, precisam dividir com as outras.
Mas, as outras, assim como essas primeiras, já não aguentam seus próprios problemas,
muito menos, ouvir os problemas dos outros.

Descobri que meus problemas, nem são problemas.
São situações, mas que com o tempo e as patadas ao longo do dia, consigo resolver.
Ou não...
Mas, quer saber?
Já não ligo mais tanto pra isso.
Sou muito nova para ter problemas, e... já estou ficando estressada.
Não estressada de nervosa, revoltada...
Um estresse, de doença.
Isso não é bom!

Aprendi que... as coisas acontecem, as pessoas falam, as pessoas erram...
E, os problemas ainda existem.
Eles crescem, ou se resolvem, ou mudam de direção.
Desista de sofrer, eles sempre vão existir.
E você vai conseguir resolvê-los...
Ou não...

Acho que as pessoas desaprenderam como é sorrir.
Acho que... Desaprenderam a amar,
A sonhar,
A acreditar nas pessoas,
A não ter medo...

Esse mundo é tão maluco!
Andam acontecendo coisas, que...
Nunca achei passar... e eu não sei como resolver.

E eu que queria mudar o mundo!
Aprendi que é mais fácil o mundo me mudar...
E olha... de verdade?
Não sou mais a mesma.

- Um dia, um adeus, e eu indo embora!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Um porteiro

Hoje, fumando meu cigarro, vejo minha vida passar.
Vejo flashes que nunca vou esquecer.

Vou lhes contar uma história, a história de uma vida,
A vida de um homem que agora é porteiro.
A vida de um homem que esqueceu de viver há muito tempo.

Nasci na Angola, África.
Engraçado, temos sempre a visão de um negro forte, grande, alto.
Pois sou exatamente o oposto.
Sou branco, de olhos claros, baixo e magro.
Agora já possuo cabelos brancos, mas meu cigarro sempre me acompanhou.
Ele foi meu fiel amigo, durante anos.
Sempre gostei de ler. De estudar.
"Capitães da Areia", que hoje faz sucesso, eu já havia lido há anos!
Jorge Amado, com meu querido " Gabriela, cravo e canela "
Quantos clássicos!
Quando morava na Angola, sabia mais sobre o Brasil, do que quando vim para cá.
Conhecia cidades,capitais, estados... Sem realmente ter os conhecido.
Hoje, ninguém sabe mais de nada.
Ninguém lê, ninguém se interessa.
Bom, se não interessa à ninguém,
não vou perder tempo com isso.

Quando tinha vinte anos, fui mandado ao exército.
Ninguém escapava. Vinte anos era a idade ideal.
A gente era obrigado.

Vi a vida e a morte em um mesmo instante.
Parece irreal pensar assim... Mas, vi.
Pensei ter morrido várias vezes.
Pensei ter ouvido gritos, mesmo quando não havia ninguém ao lado.
Pensei que a vida era pra ser vivida, sonhada.
Pensei que fosse fácil viver.
Ninguém nunca me disse, como os seres humanos são cruéis.
Eu fui cruel.

Eu matei.
Não morri, mas também não vivo.
As lembranças ainda me atormentam.
Os gritos, os tiros...

Hoje, aqui, sentado, fumando meu cigarro,
Vejo minha vida... Me vejo em lugares que pensei nunca conseguir sair.

Ninguém nasce querendo ser porteiro.
Um sonho para a vida, uma profissão desejada.
Hoje, sou porteiro.
Me vejo velho, cansado.
Hoje, as coisas mudaram...
Mas, de certa forma, ainda são as mesmas.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Era uma vez...

Um dia, os observei.
Estavam vindo em minha direção.
Observei cada um.
Cada um com um sorriso.
Cada um com um olhar.
Com uma gracinha.
Com uma risada.
Com um perfume.
Com um humor.
Com uma cutucada em outro.
Um afago.
Um abraço.
Um andar diferente.
Uma fala diferente.
Sonhos diferentes.
Amores diferentes.
Escolhas diferentes.
Caminhos diferentes...
Que em algum lugar no espaço, nos uniu.
Os olhei, e queria que àquele momento durasse horas.
Sei que não durou mais que segundos.
Jovens sadios andam depressa.
Os olhei, e senti lágrimas nos olhos.
Sabia que aquilo iria acabar.
Não pra sempre.
Laços fortes são eternos.
Mas, a falta.
O estar junto, o tempo todo.
Isso sim acabaria.
Enquanto os olhava, pensei.
Com orgulho, me veio um sentimento.
Um sentimento forte, que me fez sorrir.
Eu sabia.
Eram eles.
Um sentimento que me dizia:
- Sim. São ELES. Os SEUS amigos.

“Eu poderia suportar, embora não sem dor que morressem todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!”
- Vinícius de Moraes.

Hoje, lembrando de vocês, lembrei desse momento.
Eu sei que “Era uma vez”
É início de contos de fadas.
E que terminam sempre com finais felizes.
Mas, mesmo que esse final não for tão feliz.
Posso dizer com certeza, foram os melhores anos que vivi.