Tinha acabado de sair do trabalho.
Ficara uns minutos a mais, afinal de contas é final de mês... de novo.
E com ele, o tenebroso fechamento.
E é aí que o bicho pega, meu caro.
Bati ou não as metas? Fechei no vermelho de novo?
Já fez três meses, vou sair da experiência... ou serei demitida?
É... são várias as perguntas... Mas, te chatearia se continuasse falando disso.
É um péssimo assunto... e só de lembrar, a queimação no estômago volta.
Bom, a tarde estava fria. E eu, estava cheia de blusa, cheia de trabalho na bolsa e de saco cheio de todo mundo, indo em direção ao ponto de ônibus...
Lembrando que... minutos antes vira meu chefinho querido...
Que hoje, diga-se de passagem, estava um gato de social...
Enfim, cheguei, e fiquei a espera da van que passa pontualmente às cinco e doze.
O tempo parece uma eternidade pra quem espera.
Quando se espera a resposta positiva de uma entrevista.
Quando a comida está fria e o microondas não colabora com o estômago.
Quando se espera o tempo passar para cicatrizar uma dor, ou a falta de alguém.
Bom, no caso... estava a espera da primeira vanzinha da volta pra casa...
Quando... paro de pensar só em mim, no meu dia e nos meus problemas...
E começo a olhar ao redor.
O movimento da rua. O movimento dos carros. O movimento das nuvens...
Vi um senhorzinho de mãos dadas com uma criança loirinha, beirando os cinco anos.
Que criança esperta... Deixou o vovozinho preocupado ao atravessar a rua...
Ela estava andando normal, e do nada começou a correr.
O senhorzinho levou um susto! Ainda bem que crianças nessa idade ainda não correm muito rápido... e ele conseguiu agarrar na mãozinha dela.
Ela queria subir o degrauzão da padaria.
O primeiro, com a ajuda do vovô, ela conseguiu.
Mas, o segundo – mania que a gente tem de querer fazer tudo sozinho – ela tirou a mão do vô e tentou subir... Levantou a perninha o máximo que pode, mas não foi suficiente.
Caiu. O vovô muito gentil e bondoso, ajudou a levantar. Mas, a menininha ainda não estava satisfeita, quando o avô soltou novamente da mão dela, ela quis descer... Acho que era pra tentar subir de novo...
A van chegou.
E com ela, minha alegria de ir embora.
Entrei. Cumprimentei o motorista que já é parceiro de estrada e continuei observando.
Fiz o caminho de todos os dias. Mas agora, prestando atenção.
Passei por uma rua que em uma das paredes, tinha meu nome, bem grande escrito.
Como se alguém, me chamasse... de algum lugar... bem longe.
Era algum comércio...
Achei engraçado.
Continuei observando...
Agora já era cinco e trinta e três.
O sol estava lindo.
Já estava se pondo.
Agradeci meu parceiro. Desci da van.
Hora de esperar novamente.
Segundo meio de condução...
Transferência lotada, pessoas cansadas, pessoas alegres, pessoas que vem, pessoas que vão, acompanhadas, sozinhas, tristes, estressadas, preocupadas.
Um bando de pessoas.
Finalmente, leio 7-0-3 ... um grito de aleluia ecoa, e meus olhos brilham.
Dou o sinal.
E sumo, no meio da multidão.
É outro dia que acaba.
Aquele senhorzinho ficou na minha mente.
Como se ele fosse meu avô.
E a menininha, eu.
Aquela menininha, agora, está com outras coisas na cabeça.
Outros planos. Agora com objetivos. Mas, ainda perdida...
Não me solte vovô.
O degrau ainda é muito grande,
Acho que não consigo sozinha.
É outro dia que começa.
Arrasou Má! Cada dia melhor!
ResponderExcluirMagnífico! Coisa de Lua...
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