terça-feira, 28 de dezembro de 2010

À procura.

Nessas idas e vindas.
Nessas rodas e voltas que a vida faz.
É, chegou a minha vez.
Meus planos foram por água baixo.
Não que tudo agora esteja perdido.
Se Deus quis assim, quem sou eu pra dizer alguma coisa?

Bom, chega de mistério.
Minha procura não diz respeito à um namorado, ficante ou qualquer coisa desse gênero.
Minha procura é algo mais complicado que isso.
Nada como sentir na pele, estar desempregada.

Fui com meu pai à cidade.
Acordamos às seis. Voltamos perto das duas da tarde.
Cidade é algo belo de se ver.
Principalmente na semana posterior ao natal.
Os enfeites ainda permanecem lá.

Mesmo estando um pouco... ansiosa?
É.
Mesmo estando um pouco ansiosa, percebi.
E o que eu mais queria era estar em casa pra descrever a variedade de coisas que vi.
Pareço criança em uma cidade grande.
Quanta gente.
Somos uma mistura.
Uma bela mistura!
Mistura de rostos, cores, cheiros, sons, humores, sentimentos, pensamentos.
Nunca se sabe o que se passa na mente de uma pessoa andando distraída.
Rostos bravos, felizes, rindo, cantando, assobiando, gritando, delirando.
Há bêbados. Muitos.
Há necessitados. Muitos mesmo.
Pessoas com urina nas calças.
Pessoas com a barriga vazia.
Pessoas com a cabeça vazia.
Pessoas com os bolsos e a carteira vazios.
Pessoas com pessoas.
Pessoas sozinhas.
Pessoas querendo vender.
Pessoas querendo comprar.
Pessoas querendo roubar.
Pessoas distraídas.
Pessoas ligadas.
Pessoas. Só pessoas.
É o que somos.
Pessoas com rumo.
Pessoas sem rumo...
É. Somos uma bela mistura.

Andamos aquela cidade toda.
Encontramos agências fechadas.
Encontramos agências abertas.
Encontramos agências.
Encontramos agências que não existem mais.
Rodamos. Rodamos. Rodamos.

Ainda bem que estava com meu pai.
Ele tem o mapa da cidade em sua cabeça.
Sabe onde está a rua que é transversal àquela outra e que por fim chega ao nosso destino.
No caso, vinte destinos.
Vinte currículos.
Vinte agências.
Vinte.
E tudo o que eu preciso é apenas um.
Um emprego.

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