segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Grandparents

Acho que ‘grandparents’, foi a melhor coisa que o cara lá de cima criou.
Por que não criar um tópico para os pais dos nossos pais?
É claro. Vamos lá.
Granny, ou grandmother, ou vó, vovó, vovozinha.
A pessoa mais linda que poderia existir nesse mundo.
Por conseqüência do destino...
Tenho uma avó só.
A outra morreu. Mas, não se preocupe. Já faz algum tempo.
Ela fazia uma torta de banana, que até hoje, ninguém conseguiu fazer igual. Minha mãe até tenta, e sempre diz: Não está igual à que a vó fazia?
É. Não. Na verdade não. Eu digo que sim... mas. Não. Ela dava um toque especial. Não sei, devia ser esse seu amor sem medida. Nunca vi alguém amar tanto o ser humano como minha avó. Eu a amava, é claro... Mas, não me lembro muito bem dela.
Acho que não tinha maturidade suficiente para entender como ela era uma pessoa maravilhosa. À tratava bem é claro. Mas, talvez não como ela merecia.
Por minha sorte, Deus me deu uma chance de tentar de novo.
E nossa, não perco essa chance por nada nesse mundo.
Minha outra avó é a pessoa mais incrível do mundo.
Ela não vê maldade em ninguém. Cozinha que é uma beleza. Costura, borda.
Ela tem um geniozinho meio custoso. Não faz o que mandam. Não senhor.
Ela faz. Sim. Mas quando quer, na hora que quer.
Nem pense em mandar nela, em prendê-la, em dizer o que deve ou não fazer.
Ah, isso à deixa tão brava quanto a Mônica e suas brigas com o Cebolinha.
Uma das pessoas afetadas por esse geniozinho adorável, é meu avô.
Não é encheção de saco. Não é porque são meus avós.
Mas, nossa! Como meu avô é um cara bonzinho!
É o cara que queria ter ao meu lado.
É paciente, amoroso, calmo, gentil.
Hahaha, ele ADORA contar histórias, por mais que ele já tenha contado, muitas e muitas vezes.
Acho que uma das vantagens e obrigações de ser neto é ouvir esses velhinhos.
E é tão gostoso ouvi-lo!
Suas piadas, histórias da sua infância, sonhos que teve.
Ah, como adoro!
O problema é quando estou com sono.
Meu avô fala tão baixinho...
E parece que quanto mais fala, mais diminui o som da voz...
Às vezes fecha os olhos, como se fosse lembrar melhor dos detalhes,
Como se conseguisse voltar para àquela época.
Talvez aproveitaria mais? Sofreria menos?
Assim como minha avó, meu outro avô também se foi.
Ele era um cara maravilhoso também, tocava violão que era uma beleza,
E deixou eternizado seu amor pela música. Gravou um cd e tudo.
Tinha dedinhos mágicos. Também devia ter aproveitado mais ele. Me ensinou tanta coisa. Me fazia desenhos pra pintar. Me deixava ficar em seu ‘ateliê’, era alfaiate, um exímio alfaiate. Um exímio músico.
Então, tenho um casal de avós, maternos.
Acho que meu pai sente falta...
Além de nós, ele não tem mais ninguém.
Somos a família dele. Tudo o que ele tem.
Também devo ser mais compreensiva com ele.
Mas, esse tópico é especial para avós...
Papai, você se enquadra em outro tópico.
Voltando, onde paramos?
Ah sim, claro... Esses anjinhos na nossa vida!
Eu conto tanta coisa pra eles!
E Adoro, de verdade adoro essa confiança mútua.
Eu sei, que eles já passaram por coisas parecidas com as que passo hoje.
Eu sei que também sofreram por amor, por brigas, por amizades, por frustrações.
Talvez por isso são tão adoráveis.
Se conformaram, com as diversas situações que tiveram que passar.
E tento aprender com eles. E aprendo. Eles tem ótimos conselhos! Já evitei burradas...
Não falo só de meninos, falo de problemas em geral. Falo de festas também.
Quando bebo um pouco a mais. É claro que se preocupam.
Mas confiam em mim, e sei que não os decepcionaria.
Converso quando estou triste, feliz. Quando tenho novidades.
Ah, eles são tão especiais!
Um dia meu avô me perguntou se eu abraçava meus amigos do mesmo jeito que eu o abraçava. Achei tão engraçado.
Meu avô tem um abraço tão gostoso! Você não imagina o quanto.
Ele teve um AVC, dois anos atrás... E com isso perdeu parcialmente os movimentos do lado direito.
Um dia, perguntei: Ahh... vô! Por que o senhor não me abraça?
Achei que ele não gostava tanto assim de mim... Ou então, não quisesse mesmo.
Me surpreendi. Ele não respondeu.
Apenas falou: Quer que eu a abrace?
Então com seu lindo braço esquerdo me abraçou, puxando o braço direito com toda a força que tinha.Sim. Foi o melhor abraço que já recebi em toda a minha vida.

Eles tem defeitos? É claro, todo mundo tem.
Eles são briguentos e nervosos?
E quem nesse mundo não tem dias difíceis?
Não querem tomar remédio? Querem comer tudo que todo mundo come? É claro. Eles sempre comeram. Sempre fizeram o que todo mundo faz. Por que agora não podem?
Pra você é difícil aceitá-los? Ter a devida paciência? É difícil pra você? Imagina como não é pra eles?
Eles fazem coisas erradas? Não comem direito? Ficam revoltados quando não conseguem fazer coisas que antes conseguiam facilmente? Acredite, você passará por isso. E será até pior. E não, não será culpa sua.
E quando ficam tristes? Ah... isso sim é tristeza. Esses dias aprendi que uma das coisas mais tristes de envelhecer é saber que aqueles seus grandes amigos, que compartilharam grandes momentos da sua vida, como o seu casamento, o nascimento de um filho, a casa pronta, sonhos realizados... já não se encontram mais fisicamente presentes.
O ruim de se envelhecer, é perceber que daquela turma de brincalhões, divertidos e aventureiros moleques, muitos não conseguem mais andar, tomar banho sozinhos, comer sem derrubar tudo na mesa, se sujar com coisas que crianças fazem na diversão.
É, quem disse que seria fácil?
Quem disse que você não precisa e nem nunca vai precisar da ajuda de ninguém?
Você é humano, assim como eles.
E como humano, você também vai envelhecer.
Só espero que tenham netos assim como você.
Para saber o quanto esses seres sofreram, ou foram incessantemente amados.
Eles fizeram tanto por você e por seus pais.
Eles merecem. Eles precisam de você.
Cuide deles. Para depois, não sentir remorso do que fez ou deixou de fazer.
Perdoe-os hoje. Ame-os sempre. Não sabemos até quando estarão presentes fisicamente.

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