terça-feira, 30 de abril de 2013
Countdown
O orvalho da manhã fazia seu corpo arrepiar.
Era um frio suave, mas suficiente para gelar o nariz.
O sobretudo vermelho ornava com suas bochechas naturalmente rosadas.
O sol invadia com simplicidade aquele cenário do dia.
Não havia dormido bem. Sonhos pesados. Noite agitada.
Algo estava para acontecer.
Já era de se esperar...
Seu pai estava pra chegar.
Quantos anos!
Quantos anos haviam se passado desde a última vez que o vira.
Nem lembrava mais do seu rosto.
Que ilusão, é claro que se lembrava,
Apesar de tudo, ainda era seu pai.
Ele iria sair do presídio neste fim de semana, e isso fazia um certo amargor descer e subir, embrulhando o estômago.
Ela não tinha irmãos, não tinha tios, não tinha família.
A não ser sua velha tia-avó que não fazia questão nenhuma de fazer a pobre menina tornar-se especial.
Gabriela estava sozinha.
Esse sentimento de solidão, trazia à tona em sua mente, a época que sua querida mãe faleceu.
Quantas coisas havia suportado, desde então.
Era uma vencedora.
Podia facilmente ter permanecido no mundo ilusório das drogas.
Mas algo dentro dela sempre rejeitava essa situação.
Não queria tornar-se alguém fraco, como seu pai.
Pensou na possibilidade de se mudar, para não ser achada.
Mas, todo mundo merece uma segunda chance.
Ainda mais tratando-se de seu genitor.
Espremeu os olhos tentando buscar alguma solução, mas não conseguia se lembrar de nenhuma situação feliz com seu pai, amenizando esse sentimento de culpa, por pensar em abandoná-lo.
Vinte anos depois, Gabriela se vê ajoelhada de frente ao túmulo de seu pai, enterrado ao lado de sua mãe, com lágrimas nos olhos, mas a certeza de que havia feito a escolha certa.
Às vezes sentimos que o fardo é mais pesado do que realmente podemos suportar.
Mas Deus nos segura nos momentos mais difíceis, e depois de um tempo nem nos lembramos mais dos sofrimentos que não víamos solução.
"Segura na mão de Deus, e vai"
Era um frio suave, mas suficiente para gelar o nariz.
O sobretudo vermelho ornava com suas bochechas naturalmente rosadas.
O sol invadia com simplicidade aquele cenário do dia.
Não havia dormido bem. Sonhos pesados. Noite agitada.
Algo estava para acontecer.
Já era de se esperar...
Seu pai estava pra chegar.
Quantos anos!
Quantos anos haviam se passado desde a última vez que o vira.
Nem lembrava mais do seu rosto.
Que ilusão, é claro que se lembrava,
Apesar de tudo, ainda era seu pai.
Ele iria sair do presídio neste fim de semana, e isso fazia um certo amargor descer e subir, embrulhando o estômago.
Ela não tinha irmãos, não tinha tios, não tinha família.
A não ser sua velha tia-avó que não fazia questão nenhuma de fazer a pobre menina tornar-se especial.
Gabriela estava sozinha.
Esse sentimento de solidão, trazia à tona em sua mente, a época que sua querida mãe faleceu.
Quantas coisas havia suportado, desde então.
Era uma vencedora.
Podia facilmente ter permanecido no mundo ilusório das drogas.
Mas algo dentro dela sempre rejeitava essa situação.
Não queria tornar-se alguém fraco, como seu pai.
Pensou na possibilidade de se mudar, para não ser achada.
Mas, todo mundo merece uma segunda chance.
Ainda mais tratando-se de seu genitor.
Espremeu os olhos tentando buscar alguma solução, mas não conseguia se lembrar de nenhuma situação feliz com seu pai, amenizando esse sentimento de culpa, por pensar em abandoná-lo.
Vinte anos depois, Gabriela se vê ajoelhada de frente ao túmulo de seu pai, enterrado ao lado de sua mãe, com lágrimas nos olhos, mas a certeza de que havia feito a escolha certa.
Às vezes sentimos que o fardo é mais pesado do que realmente podemos suportar.
Mas Deus nos segura nos momentos mais difíceis, e depois de um tempo nem nos lembramos mais dos sofrimentos que não víamos solução.
"Segura na mão de Deus, e vai"
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Quem sabe voltemos a viver...
Tudo era tão lindo. Tudo tinha cor, e mesmo se não tinha razão, era bonito.
Era agradável o cheiro, o dia, a noite, era confortável presenças, momentos.
Era calmo, era suave, era um sentimento de proteção, o tempo todo.
O tempo passou, e as coisas mudaram... Como já era de se esperar.
Mas não se esperava isso, assim. Eu pelo menos, não...
O bonito ficou feio, o agradável começou a incomodar.
O conforto me espremia, e a proteção... eu não sentia.
Os problemas apareceram, doença, tristeza, dor.
Queria que tudo se escondesse, ou sumisse de vez.
O tempo passou e eu não vi.
Juro que não vi.
As coisas passaram, os filhos cresceram, amigos casaram.
Mudaram-se jeitos, gestos, sentimentos.
Mudaram-se os móveis, as pinturas e os quadros.
Antes o quadro era de paisagem com um barco.
Hoje uma mistura de tinta negra, com cores fortes.
É, voltei a fazer quadros!
Isso é algo que realmente me alegra.
Mas hoje, o quadro é diferente.
Em um lado algumas flores tentando sobreviver.
Enquanto atrás, as pessoas correndo contra o tempo.
As pessoas correm tanto pra quê?
Os conceitos estão mudados.
Demorei, mas entendi.
É com o sofrimento que se cresce.
E mesmo que nos digam, só entendemos quando acontece conosco.
Engraçado.
Talvez trágico.
Tanta coisa mudou!
Não sei mais escrever como antes.
Não sei sentir como antes.
Não tenho os olhos de antes.
É o choque de realidade.
E é difícil aprender a lidar com isso.
Era agradável o cheiro, o dia, a noite, era confortável presenças, momentos.
Era calmo, era suave, era um sentimento de proteção, o tempo todo.
O tempo passou, e as coisas mudaram... Como já era de se esperar.
Mas não se esperava isso, assim. Eu pelo menos, não...
O bonito ficou feio, o agradável começou a incomodar.
O conforto me espremia, e a proteção... eu não sentia.
Os problemas apareceram, doença, tristeza, dor.
Queria que tudo se escondesse, ou sumisse de vez.
O tempo passou e eu não vi.
Juro que não vi.
As coisas passaram, os filhos cresceram, amigos casaram.
Mudaram-se jeitos, gestos, sentimentos.
Mudaram-se os móveis, as pinturas e os quadros.
Antes o quadro era de paisagem com um barco.
Hoje uma mistura de tinta negra, com cores fortes.
É, voltei a fazer quadros!
Isso é algo que realmente me alegra.
Mas hoje, o quadro é diferente.
Em um lado algumas flores tentando sobreviver.
Enquanto atrás, as pessoas correndo contra o tempo.
As pessoas correm tanto pra quê?
Os conceitos estão mudados.
Demorei, mas entendi.
É com o sofrimento que se cresce.
E mesmo que nos digam, só entendemos quando acontece conosco.
Engraçado.
Talvez trágico.
Tanta coisa mudou!
Não sei mais escrever como antes.
Não sei sentir como antes.
Não tenho os olhos de antes.
É o choque de realidade.
E é difícil aprender a lidar com isso.
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