segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Abacaxi com raspas de limão

As flores em outubro são ainda mais lindas do que aquelas que viste contigo.

Tudo era belo e suave.
O vilarejo era isolado, e lá parecia um lugar esquecido por todo o resto da população. Apenas o balanço das árvores era frequente e vez ou outra ousava passar um carro. Aquela tranquilidade acalmava meu coração e aquele cheirinho de terra molhada todas as vezes que chovia, fazia com que eu me sentisse tão viva quanto a rosa mais vermelha do canteiro.

Os raios de sol ao entardecer deixavam o céu ainda mais belo. As crianças sorriam e até as velhinhas com verrugas no nariz eram adoráveis.

Depois vieram os filhos, sobrinhos e netos. Vieram um, dois e três. Um que teve três, outro com mais três e o terceiro com mais quatro. Formávamos uma família, desde que éramos só dois.

Lá não havia gastrite ou problemas de estômago. Não havia medo, ou mesmo dor.
Não havia tristezas, e nem conquistas... Pois tudo era fácil demais.
Não havia muita vida também.
A alegria era constante. Os risos também. A tristeza tornou-se bela, pois chorar não existia.
As lágrimas não corriam, e até a morte, não morria.

As palavras não existiam, e escrever, não se conseguia.

Não é tristeza não, não é alegria também.
Não é medo, nem coragem.
É algo como abacaxi.
Azedinho.

E raspas de limão.

Um azedo, meio doce, quando juntos.

Dá pra aguentar, mas não se vive assim, quando a alegria não é plena, e a tristeza mora escondida.