segunda-feira, 30 de maio de 2011

Fria manhã

Que frio! Aqui faz muito frio!
Nosso majestoso sol, tenta disputar a nebulosa manhã que se formou.

Frio, muito frio!
Tento amenizar esse sentimento com um pouco de café.
Café amargo. Sem muito açúcar. Parece já ter esfriado.
Não conseguiu me esquentar nem por um segundo.

Frio é psicológico, frio é psicológico...

Adoraria estar em casa de pijama.
- Já que é para sonhar, vou aumentar meu desejo.
Adoraria estar em casa de pijama, embaixo daquele meu edredom vermelho, no sofá, sobre almofadas e travesseiros, assistindo filme e comendo pipoca, vibrando com o calor do fogo da lareira que nesse momento me esquenta e me acolhe. Curtindo o maravilhoso ambiente, em minhas merecidas férias.
Ahhhhhhhhhhhh, que delícia!

Nesse momento, vem chegando um rapaz sorridente, com um olhar terno e carinhoso, que me pergunta se um chocolate quente me faria mais feliz.
Esse mesmo rapaz senta-se ao meu lado, e encostando minha cabeça em seu peito, acaricia meu cabelo sutilmente, como a um anjo.
Consigo sentir o pulsar do seu coração, que parece feliz, batendo melodicamente.
Nunca vira aquele rapaz. Mas, não queria perder-lhe de vista.

Acredito que existem pessoas que precisam ser cuidadas... Outras, que preferem cuidar.
O carinho sempre foi meu. O cuidado sempre foi meu.
Agora, sentir esse carinho, é o que preciso.
Nesse cenário que se forma, onde o fogo da lareira consome meus pensamentos, é com você que queria estar. Exatamente assim. Como se o segundo não andasse. Como se o filme não acabasse. Como se o frio, findasse gentilmente, dando espaço a quentura dos nossos entrelaços.




" Clara manhã, obrigado. O essencial é viver..."
- Carlos Drummond de Andrade.


segunda-feira, 16 de maio de 2011

De outro alguém

" A idéia para uma crônica me vem sempre como uma experiência de alegria, mesmo que o assunto seja triste.

Ela aparece repentinamente, nos momentos mais inesperados, como a visão de uma imagem. O que tento fazer é simplesmente pintar com palavras a cena que se configurou em minha imaginação.

Sou psicanalista. Meu trabalho se baseia na escuta. Cada cliente fala e, ao fazer isso, me permite andar nas paisagens da sua alma. Ao escrever uma crônica faço o contrário. Sou eu que ofereço as paisagens da minha alma aos olhos dos meus leitores. E eles, sem o saber, são os meus psicanalistas.

O escritor não é alguém que vê coisas que ninguém mais vê. O que ele faz é simplesmente iluminar com os seus olhos aquilo que todos vêem sem se dar conta disso.

E o que se espera é que as pessoas tenham aquela experiência a que os filósofos Zen dão o nome de 'satori', a abertura de um terceiro olho, para que o mundo já conhecido seja de novo conhecido como nunca o foi "


- Rubem Alves. :)

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Hipérbole

Me pediste para te compor uma música.
- Ah, por favor! Não deve ser tão dificil assim!

Ahh menina, se pudesses me fazer ver, além do que esses olhos acinzentados de pureza podem me mostrar...
Talvez saberia o que de fato sentes.
Meu corpo arde e vibra, quando sente teu perfume.
É como se meu cérebro já tivesse associado.
És minha.
Me pertence, e a mais nenhum outro.

Como posso te escrever uma música, se todas as palavras que surgem na mente não fazem sentido se não encontram seu nome ao final?
Como se exibe jeitosamente em seu leito rosado nos meus mais belos sonhos.
És a mais bela entre todas.
És a única que me fez sentir o que desejava há tempos!


É engraçado pensar assim, mas, pare um pouco e pense.
- Fiz um pequeno esforço para parecer romântico, levando em conta que não leio romances com frequência e muito menos os vivencio.
O último que tive foi há...

Enfim, quando vou me apresentar diferenciadamente, como um eu - romântico.
Ué, existe Eu-lírico... não se pode existir um eu- romântico?
Estou rodando e rodando...
Mas, queria dizer que, quando vou falar ou me expor com mais... sentimentalismo...
Volto ao tempo que mais existia esse tipo de coisa.
Olha o jeito das palavras, a gramática, as locuções, citações, o modo como os verbos estão colocados.

Acho tudo isso uma coisa irrelevante... já que não me prendo a sentimentalismos de gênero algum...


Só te digo uma coisa menina,
Se tu disseste, pelo menos uma vez, olhando dentro dos meus olhos e expondo as verdades ocultas em que se escondes... Diria, sentindo teu coração no meu, seus lábios tão próximos, e cílios igualmente postos, fechando e abrindo no mesmo segundo em que digo... ' Eu amo você '


E quando me pedes uma simples letra de música, ou uma melodia que me faças não te esquecer...
Apenas digo, que melodia nenhuma faria me esquecer desses olhos penetrantes. Que não te esqueço nenhum segundo, apenas o instante que quero sentir algo diferente, como parar de viver.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Mais um

Me lembro bem a primeira vez que comprei um maço de cigarro.
Hollywood vermelho.
Pensei... - É melhor levar meu RG.
É meio difícil as pessoas aceitarem que... SIM, sou maior de idade.´
Só de idade mesmo...

Comprei para o senhor que trabalha comigo, aqui do lado.
Já escrevi sobre ele... O porteiro.
Meu porteiro predileto.
Fico feliz em vê-lo.

Hoje, não tinha vontade nenhuma de levantar.
Simplesmente, não tinha.
O dia estava frio.
A cama aconchegante.
Não conseguia me mexer.
E nem queria.

Por fim acordei.
E cá estou.
Cheguei e Seu Fernando me dá um bom dia super alegre!
E já vem falando:
- Chegou a menina que tem um astral de alegria. Sabia? Sabia que você tem um astral bom, filha?

Isso foi o bastante para ele me arrancar um sorriso.
Viu?
O dia é outro.

Estava falando do cigarro né?
Bom, cheguei lá, comprei, ninguém perguntou nada...
Quem é que pergunta idade quando quer vender?

Não nesse mundo.

Seu Fernando é o senhor da guerra.
O cara com o coração mais incrível que eu conheço.
Ele disse que na guerra, era um péssimo homem.
Não servia para torturar os inimigos.
Acho que na verdade... ele era e continua sendo um ótimo homem.

Ainda tenho tanta coisa pra falar dele!
Ele é um cara fascinante... com sotaque português.

- Estou criando o hábito de chegar e escrever.
Isso atrasa todo o meu serviço, mas me dá uma motivação incrível para enfrentar o dia.

Mas é bom não extrapolar...
Estou indo... o dever me chama!

Bom dia pra você, minha cara Helena.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Outra visão

Maio começou com tudo.
Também pudera, dia 1º foi nada mais, nada menos que o Dia do Trabalho!
Honrei esse nome, e... trabalhei.
Mais uma vez estou falando de trabalho...
Que assunto mais chato!
Isso é assunto para adulto...
E quem disse que, adultos...gostam disso?

Hoje, ao acordar, tive uma sensação...
Uma sensação de...saudade.
No fim de semana, conversei com um amigo querido,
Ele me contou o quão divertido fora seu sábado, ao lado das pessoas que eu também amo.
Jovens alegres, que possuem tristezas, mas, que quando compartilhadas, viram um grãozinho de... linhaça.

Senti uma saudade.
Saudade de um tempo que... não volta, mas que de certa forma, sei que ainda existe.
Saudade de uma parte da minha vida, que ficou perdida, em algum lugar...
Saudade de pessoas, momentos, lugares, músicas, abraços, carinhos, você...
Saudade de quando ia para o estágio e respirava, sentia o dia, o toque suave dos primeiros raios de sol, o bom dia contente que oferecia e recebia de pessoas que nunca mais veria, as menores responsabilidades, mas ainda sim, eram responsabilidades... Mas pra mim, era tudo diversão.
Ainda é.
Aprendo muito.
Aprendo muito mesmo.

As patadas de ontem foram cruéis...
Dignas de desespero e aflição.
Não pensei que o dia fosse demorar tanto para acabar.
Mas, acabou.

Esse frio cortante que gela corações e extermina o pouco de voz que ainda me resta.
Queria ter o poder de voltar no tempo, parar, e ficar assim, só revivendo.